A Chinatown Market é a marca de streetwear mais inovadora hoje

O jovem designer de Los Angeles, Mike Cherman, tem em seu currículo a concepção do logo da Kith, trabalhos para Puma, Nike, Lacoste e outras boas histórias. Para introduzir, Mike foi o criador da marca ICNY (Eye See New York), onde, após sofrer um acidente de bicicleta, trouxe o conceito de ser visto à noite, incorporando mais funcionalidade para pedalar em peças que fossem usáveis no dia a dia. Todos os produtos tinham apliques refletivos, algo inédito na época. Os produtos lançados variavam entre camisetas, meias, jaquetas, moletons, bonés e bolsas. Em pouco tempo, a marca virou hit especialmente nos EUA e Ásia.

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Como nada na vida é fácil, em uma entrevista no podcast Business of Hype, apresentado por Jeff Staple (se você entende bem inglês e gosta de streetwear, ouça todos), Mike contou sobre quando estava na China, em uma viagem durante um período turbulento com o sócio-investidor da marca, foi ler seus e-mails e teve a surpresa de não conseguir acessar a conta. Nesse momento, ele viu o fim da sua promissora marca e percebeu que teria que brigar pelo futuro da ICNY – que nos últimos 3 anos não lançou mais nenhum produto. Hoje, é fácil perceber como a marca estava à frente do seu tempo.

Deduz-se que Mike, com o expertise adquirido nas fábricas chinesas para desenvolver as peças da ICNY, poderia criar outra marca com avançadas tecnologias, mas ele foi além disso.

Para contextualizar a história toda, é necessário explicar resumidamente o que vem ocorrendo na indústria do streetwear. A China é a maior produtora do que é mundialmente conhecido como “counterfeit culture”, a pirataria. Na linguagem dos atletas do corre: RP ( réplica ). Não se trata mais de uma mera falsificação, é um novo nível de produto não oficial usando as plataformas criadas com o investimento milionário de corporações como Nike e adidas. Depois de notar que o mercado de streetwear vive em uma eterna demanda maior que a oferta, os chineses acharam um buraco para atender os consumidores desavisados, que estão conhecendo agora essa cultura, além daqueles que não se incomodam em usar algo falso. Curiosamente, os produtos criados nesse submundo chegam a ter mais variedade do que os lançados oficialmente, como é o caso de uma loja Yeezy na China que tem dezenas de variações do Yeezy Boost, sendo a maioria delas nunca lançadas oficialmente, mas todos extremamente fiéis aos originais em relação ao aspecto visual e materiais. Isso sem citar o caso da Supreme, ( isso por si só daria um outro texto ) que enfrenta uma batalha judicial para conter uma marca genérica de mesmo nome que está abrindo lojas pelo mundo todo. Outra coisa que vale citar são as colaborações que os falsificadores criam, como Gucci x Adidas, Ripndip x Supreme, Adidas x Off-White, entre outras.

Voltando ao ponto inicial, Chinatown é um bairro presente em vários lugares do mundo, batizado por abrigar a comunidade chinesa, enquanto Market é o nome dado aos complexos chineses conhecidos por agrupar vários fabricantes de determinados mercados, incluindo o têxtil. Lá, você consegue qualquer tipo de produto, seja sem marca, com a marca de produtores locais ou falsificações de grifes como Louis Vuitton, Gucci, Prada e Balenciaga. Mike Cherman se associou ao maior polo falsificador do mundo para batizar seu projeto pós-ICNY e usou um símbolo ridiculamente simples e atual, que complementa a história toda com sinergia: um emoji do Smile ( 🙂 ). Assim foi criada a Chinatown Market, que vem redefinindo e desconstruíndo padrões no mundo da moda.

Na lista de lojas que revendem a marca estão Sneakers n Stuff, Overkill, Urban Outfitters, Zumiez e, no Brasil, Ã Urban Shop, entre outros pontos de venda pelo mundo. Lebron James, Post Malone e Lil Wayne aparecem na lista de pessoas influentes já vistas usando Chinatown Market. Até aí, nada tão fora do normal. O incomum é a quantidade de produtos lançados, praticamente cuspidos, sem se prender a temas, junto a coleções cápsulas intercaladas com coleções sazonais que acompanham o calendário padrão de estações. Nas entregas estão inclusas, sem critério algum, estampas que podem já ter sido lançadas anteriormente, adaptadas para peças e cores diferentes junto com peças inéditas e colaborações aleatórias.

Tudo vem acompanhado de uma inovação muito característica, reapresentando ideias aparentemente batidas, que se qualquer outra marca fizesse seria brega e ultrapassado, como apliques de pedras, tecidos que mudam de cor, estampas com toque emborrachado, entre outros. E quando sai do campo do vestuário, tudo se torna smile de uma forma muito direta, simples e cheia de estilo, de modo que até então só a Supreme era capaz de fazer. Bolas de basquete, tênis e futebol americano, mesa e raquetes de ping pong, colchão inflável, tapete, barraca de camping e câmera fotográfica são alguns dos itens inusitados já feitos pela marca. Também é surreal a quantidade e velocidade com que eles conseguem desenvolver bootlegs de qualquer coisa. Um exemplo recente foi na venda do merch do Kanye West no Sunday Service, quando no domingo mesmo, horas depois, a Chinatown colocou à venda sua versão da coleção. E nesse caso foi um bootleg, nada ilegal, só uma simples versão distorcida de algo original. Mas eles já se apropriaram, sem medo, de logos e nomes como Ralph Lauren, Christian Dior, Gucci, Prada e provavelmente já devem ter infringido todas as leis de copyright possíveis. E até isso virou estampa e elemento de marketing, com a já clássica frase “Call My Lawyer” (chame meu advogado, em tradução livre) nas estampas.

Quando o assunto é colaboração, Mike Cherman não põe o pé no freio. A Chinatown Market tem em sua lista nomes como Guess, Lacoste, Pleasures, Round Two, Crocs, Timex, The Hundreds e Highsnobiety. Para se ter ideia, na última Complex Con eles apresentaram mais de 10 colaborações com diversas marcas em dois dias de feira. Uma das ações de marketing que também virou marca registrada e ajudou a popularizar a Chinatown foi um formato de customização com uma pistola laser que escreve em qualquer superfície, ideia que curiosamente foi reproduzida por algumas marcas grandes. E o posicionamento da Chinatown com relação a isso foi à altura, comentando na foto de uma dessas empresas: “Vocês deveriam ter nos chamado”. E entrando no assunto rede social, que é o principal alicerce do mundo moderno pra expor qualquer trabalho, a Chinatown Market, que movimenta somente o Instagram, também consegue traduzir perfeitamente o conceito da marca, com infinitos posts por dia e interação com o público de uma forma íntima e descontraída. Seu perfil contém sorteio de produtos, apostas, fotos e vídeos aleatórios, repost de fotos e prints, lookbooks, produtos a serem lançados, memes e montagens usando celebridades como Pharrel Williams e Kanye West.

Não tem pudor. Não existem mais regras e leis. É tudo de todo mundo. A marca transcendeu tudo que já foi feito no streetwear e é totalmente disruptiva. E, para concluir com a mesma frase do início (para quem teve paciência de ler até aqui): a Chinatown Market é o nome da marca mais inovadora que apareceu nos últimos tempos.

O texto “Entenda o porque a Chinatown Market é a marca de streetwear mais inovadora hoje” é de autoria da à Urban Shop.

Bruno L. | @brrunol

Fundador e editor do portal NOTTHESAMO | @brrunol

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